Relato RODYER CRUZ – Giro do Chimarrão 3

Porque você pedala 1000km? Essa deve ter sido a pergunta que todos fazem para você quando vai encarar um desafio como esse de bicicleta. Eu devolvo a pergunta…. porque você está parado? Parado para beber até cair as 6 horas da manhã, parado para a vida, parado para os grandes desafios. Tenho histórias para contar, claro que, eu e os meus colegas de Giro somos pessoas diferentes.

Sou assim, os desafios me estimulam e a principal palavra para a vida é: CORAGEM.

Foi com a CORAGEM que fui até Porto Alegre enfrentar pela segunda vez o Giro do Chimarrão.

Cheguei com os grandes ciclistas e amigos Moisés Retka, Ronildo Silva e Luis Chagas. E na quinta pela manhã estávamos preparados para o desafio de pedalar 1000km em estradas gaúchas – era o Giro do Chimarrão 3!!!

Logo na largada me atrasei um pouco, pois estava enchendo pneu… mas já parti direto para a minha estratégia – pedalar forte até o primeiro PC, assim já aqueço e consigo chegar ao meu ritmo e cadencia, foi assim que cheguei no PC 01 122km pedalados. Entre o PC 01 e o PC 02 foram 2 pneus furados e ainda uma queda – o que baixou meu ritmo, mas nada que me fizesse abalar, sangrando parti e cheguei no Pc02, já rumei para a Tenda do Naldo.

A Chuva em alguns casos para mim pelo menos me ajuda bastante, pois ajuda muito a refrescar, neste Giro optei por um colete muito quente quase que um corta vento todo fechado e já estava sofrendo com o calor, mas optei pela segurança de um bom colete fechado. Assim a chuva veio apenas para ajudar.

No PC 3 já comecei a perceber que este Giro seria diferente, pois com 150km nas costas os randonneurs não vinham em pelotão e sim cada um no seu ritmo, com destaque para o amigo Saul e sua nova maquina. Assim chegavam um a um no PC 03. Parti Rumo ao PC 04 – sozinho.

As 18 horas de quinta-feira estava diante da grande Serra da Candelária – já ultrapassada no Giro 2 e enfrentava novamente esta bela serra…. cada um encara uma subida de 8 a 10km de um jeito….. procuro deixar a bike no pratinho pequeno, e o cassete na ultima velocidade – baixo a cabeça e bora concentrar no giro, olhando para frente apenas para ver se tem algum buraco. Desta forma passei a Candelária e parti rumo ao Arroio do Tigre PC04 – chegando por lá dei uma cochilada de uma meia hora e iria enfrentar o INFERNO DOS PAMPAS até Cruz Alta, só que desta vez passaria de madrugada.

A ida até Cruz Alta desta vez foi bem mais tranquila que da ultima vez, a travessia de madrugada foi com as paradas para dormir de 15 minutos nos pontos de ônibus que tinham pela estrada. Assim no começo do dia cheguei em Cruz Alta.

O segundo dia de Giro prometia forte calor e foi o que aconteceu, além das grandes subidas que não deixam o randonneur em paz, cheguei em Espumoso para almoçar, descansar e me preparar para chegar até Barros Cassal. Entre sobe e desce faltou água… e não tinha nada na estrada, mas nada mesmo. Pedi para um fazendeiro que não quis me atender, pedi para um grupo que estava tapando o buraco na estrada e ganhei um copo d´ agua – você aceitando um desafio como esse aprende a valorizar algumas pequenas coisas do seu cotidiano…. quase 18 horas cheguei em Barros Cassal.

Parei pouco…. nem comi direito porque quis ir direto Vera Cruz, onde lá podia tomar um banho, dormir e me preparar para o próximo dia, mal sabia eu que as subidas iriam aumentar…. e muito. O mesmo ritmo da Candelária baixa a cabeça concentra no pedal, e só vê no GPS se a subida está acabando…. nesta parte deu bastante sono também – nada que uma boa paradinha nos pontos de ônibus, cobertos e quentes dá para tirar um bom cochilo…. depois das grandes subidas a grande descida, debaixo de muita neblina e depois…. a chuva.

Mais uma vez a chuva ajudou – pilotar a bicicleta torna-se uma arte – concentração total e foco para chegar até Vera Cruz – cheguei ensopado….. depois de 671km minha missão estava completada!!!! Agora era só chegar…. comi, dormi e acordei as 2 da manhã com o tempo sequinho para rumar até Muçum….. cacildis.

No Giro 2 Cruz Alta e Santa Cruz do Sul me incomodaram pelo quantidade de movimento e a falta de um bom acostamento na estrada. Neste Giro 3 passei por estas cidades na madrugada ou no começo da manhã, pouco movimento, a super subida de Santa Cruz do Sul foi passada sozinho sem ninguém só a escuridão.

Assim fui rumo a Muçum – as movimentadas cidades de Lajeado e Arroio do Meio, depois o fim em Encantado e depois do fim a Princesa das Pontes – Muçum, o dia estava bem típico Curitibano. frio, nublado – do jeito que eu gosto, era hora de socar a bota rumo ao fim.

Na volta de Muçum o ultimo dos 10 furos de pneu em Arroio do Meio, já no nono furo minha bomba havia quebrado, fora o farol que quebrou em Espumoso, o GPS que parou em Vera Cruz, pequenos detalhes que não incomodavam nenhum pouco principal objetivo…. chegar em Porto Alegre.

Venancio Aires cheguei de meio dia faltava 150km…… o tradicional Pesque Pague Panorama as 16 horas e o Postaço as 18 horas de sábado….. era hora da balada e faltava 50km para o final.

Da parte final era só levar a bike tranquilamente até o DC Navegantes….. a dor de pedalar 1000km já estava me dando tique nervoso, ou seja, meu corpo queria se alongar na bicicleta devido as dores nas costas, mas isto também não incomodava o principal objetivo.

Carros muitos…. pontes muitas…… e finalmente Porto Alegre….. a cidade estava calma e tranquila, algumas pessoas indo para as baladas e eu chegando de minha aventura por terras gaúchas;

Total de tempo: 61:49 – pedalando 1000km com o vento, a escuridão. a neblina, a chuva e meus pensamento como companhia….. a solidão as vezes é necessária, é isto aí!!!! Até a próxima.

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